domingo, 20 de maio de 2012

1#- Carta para o teu pai:




Sempre disse que nunca senti a tua falta. De certa forma é verdade. Mas tenho de admitir que gostava de ter um pai. Alguém que me amasse, cuidasse de mim e estivesse sempre lá. Não percebo como me pudeste abandonar. Quanto a isso nunca vou conseguir perdoa-te. Não imaginas como dói ouvir que os meus colegas à minha volta têm pai e se divertem imenso com ele. Contem histórias e momentos passados e parecem felizes. Gostava de puder participar nessas conversas com algo que não: “O meu pai deixo-me, não tenho nada para contar.” Por isso, de certa forma, sofro. Todos os dias a dor me consome um pouco. Até ao dia em que não aguentar mais e chorar. Chorar de verdade como nunca chorei antes por ti. Amo muito a minha mãe, mas ela não consegue tapar todo o buraco que cavaste no meu coração. Não percebo porque o fizeste. Não sou a filha perfeita que querias ter? Ou simplesmente não querias uma filha? Passei tão pouco tempo contigo. Como pudeste nesse pouco tempo me odiar tanto? Porque odeias-me, não é? Se não odiasses porque me havias de abandonar? Porque o fizeste? Eu iria te aceitar como fosses. Para mim, não precisavas de ser perfeito, nem rico, nem bonito, nem nada disso. Só precisavas de ser um pai e me amar. Assim estaria óptimo.

- Sarah Bachelier

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